In memoriam | Jesús Garrido Suárez (Chucho)

25 de Setembro, 2026

Hoje despedimo-nos, com tristeza e enorme gratidão, de Jesús Garrido Suárez, pedagogo, padre jesuíta e, sobretudo, um grande amigo do Colégio Valsassina.

A relação de Chucho com o Valsassina começou no início da década de 1970, quando era diretor do Colégio Santa María del Mar, na Corunha. O que começou por ser uma relação entre duas escolas rapidamente se transformou numa colaboração próxima, feita de encontros, visitas, conversas, formação, troca de experiências e, sobretudo, de uma inquietação comum: como fazer uma escola melhor?

Essa relação prolongou-se durante mais de quatro décadas, atravessando diferentes gerações do Colégio e acompanhando muitas das mudanças que foram transformando a educação e o próprio Valsassina.

Chucho era um homem de perguntas. Gostava de observar, questionar, experimentar e desafiar ideias instaladas. Trazia-nos outras experiências e outras formas de olhar para a escola, mas, acima de tudo, obrigava-nos a pensar sobre aquilo que fazíamos, por que o fazíamos e como poderíamos fazê-lo melhor.

A sua forma de entender a educação era profundamente marcada pela curiosidade, pela atenção ao que acontecia dentro da sala de aula e pela convicção de que uma escola não pode deixar de aprender. Interessavam-lhe os professores e a sua prática, mas interessavam-lhe, antes de tudo, os alunos: o que os mobiliza, como aprendem, como interrogam o mundo e como a escola pode ajudá-los a compreendê-lo.

Foi essa curiosidade inesgotável que manteve Chucho próximo do Valsassina durante tantos anos. Nunca se tratou apenas de importar métodos ou seguir modelos. Tratava-se de partilhar, discutir, experimentar e aprender uns com os outros.

Por isso, Chucho faz parte da história do nosso Colégio. Muitas das pessoas que com ele se cruzaram recordarão certamente as conversas, as provocações, as ideias e aquele permanente convite a não nos acomodarmos. Algumas das sementes que foi deixando ao longo de décadas tornaram-se parte da maneira como pensamos e fazemos Escola.

Hoje perdemos um amigo de longa data, mas fica connosco muito do que nos ensinou: a curiosidade, a inquietação, o gosto por experimentar e, talvez acima de tudo, a ideia de que uma escola que deixa de se interrogar deixa também de aprender.

À Companhia de Jesus, à sua família, aos seus amigos e a todos os que com ele partilharam a vida e a educação, deixamos um abraço sentido.

Até sempre, Chucho. E obrigado por tantos anos a ajudar-nos a pensar a Escola.