O projeto “São Horas de Perguntar” nasce do ímpeto natural das crianças em questionar o mundo que as rodeia – ou não fosse o espanto um elemento constitutivo da natureza humana.
Foi com este espírito que, no Dia Mundial da Filosofia, celebrado em novembro, as professoras de Filosofia para Crianças do 3.º e do 4.º ano lançaram um desafio às turmas: escolher uma questão para a qual ansiavam por resposta ou um enigma que gostariam de ver resolvido. Depressa as professoras foram surpreendidas pela aguçada capacidade das crianças em tomar o mundo como um lugar permanentemente desconhecido e sobre ele lançar as mais extraordinárias inquietações: Somos feitos de quê? Porque é que precisamos de pele e de ossos? Como se formou o planeta Terra? Porque é que os números são infinitos? Deus tem idade? Porque é que nós existimos? Os aliens existem? Há provas? Porque é que aquilo que a magia faz não existe? Quem é que inventou a primeira invenção? Qual é o sentido da vida? Será que os sonhos podem ganhar realidade? Se tudo fosse transparente, que cor se veria? É possível alguém sentir sempre alegria? Porque é que as pessoas não vivem em paz?
Este foi o mote para o início de uma viagem de partilha, de investigação e de questionamento. Na disciplina de Filosofia, os/as alunos/as do 11.º ano receberam as questões dos/as colegas mais novos/as e, sem conhecer a sua identidade, partiram em busca de respostas. Cada interrogação deu origem a um artigo científico, realizado pelos/as alunos/as do Ensino Secundário, acompanhado por um destacável lúdico criado especialmente para ser enviado de volta para a respetiva criança.
O resultado não podia ser mais enriquecedor. Mais do que um exercício meramente académico, este projeto provou que a curiosidade não tem limites e que as descobertas mais fascinantes nascem da vontade triunfal das crianças em explorar a realidade, lembrando-nos que nunca se é demasiado pequeno/a para questionar, nem demasiado crescido/a para responder.
O projeto “São Horas de Perguntar!” fez-me ver a disciplina de Filosofia de forma diferente. Achei extremamente interessante todo o processo. E apesar de o artigo ter sido um trabalho bastante exigente, creio que chegar ao produto final compensou todo o esforço. O destacável foi muito giro de fazer, porque fez-me sentir mais próxima da criança e o sentimento de saber que a criança ia ficar muito feliz quando o recebesse fez-me ficar a mim também feliz.
Carmo Matias 11.º 1A
O projeto foi, até agora, o mais interessante do Secundário. Gostei muito de poder investigar acerca da pergunta que recebi, de poder ir à procura de livros sobre o tema e de os incorporar no artigo científico. Francisca Varela 11.º 1A Este projeto desafiou-me a procurar mais além, e ajudou-me a perceber que até uma simples pergunta de uma criança pode ter um profundo significado filosófico.
Duarte Ramos 11.º 1B
Considerei este projeto extremamente inovador. Achei fantástico ter a oportunidade de responder a uma pergunta de uma criança curiosa. A dupla vertente deste trabalho deu-me a oportunidade de aprofundar cientificamente o tema e também abriu portas à minha criatividade.
André Enes 11.º 1C
Achei extremamente interessante e interativo, pois senti-me desafiada e que o que estava a fazer tinha um propósito e causava diferença na vida de uma criança. Foi um trabalho que me permitiu explorar um tema totalmente novo e de forma livre, o que foi super gratificante. Adorei o trabalho!
Catarina Mesquita 11.º 1C
Participar neste projeto fez-me recordar as aulas de Filosofia para Crianças e as muitas perguntas que surgiam naturalmente nessa altura. Foi curioso reconhecer que essas questões, aparentemente simples, já eram o ponto de partida para a reflexão filosófica que hoje aprofundamos. A oportunidade de construir uma maquete para explicar a minha resposta e de a entregar pessoalmente à aluna do 1.º Ciclo tornou a experiência ainda mais significativa. Foi uma atividade muito enriquecedora, que aliou aprendizagem, partilha e uma agradável sensação de nostalgia.
Julieta Machado 11.º 2
O projeto “São horas de perguntar!” é muito interessante não só para os mais pequenos mas também para mim. É muito importante fomentar a curiosidade nos mais pequenos e também em nós, que somos mais velhos. Não fazia ideia de que as perguntas deles, aparentemente simples, dessem respostas tão complexas e interessantes. É mesmo um projeto fascinante. Mariana Diniz 11.º 3
Este projeto teve um grande impacto em mim, porque me fez refletir e sentir uma grande nostalgia, sendo que desde pequena que me lembro de ter questões semelhantes à das crianças envolvidas neste projeto.
Matilde Ramos 11. º4
Cláudia Viana e Daniela Morais, Professoras de Filosofia para Crianças e de Filosofia

