Entre os dias 9 e 11 de julho, a Nova SBE acolheu o maior encontro anual de Ciência e Tecnologia em Portugal, Ciência 2025, que teve como tema Ciência, Inovação e Sociedade. Pela relação com o tema, caráter inovador e pelo contributo para a sociedade, a Ciência Viva selecionou projetos de alunos do Colégio, os quais foram apresentados no início de algumas sessões do programa. Foram apresentados cinco projetos, dinamizados nas disciplinas de Biologia e Física do 12.º ano: Easy Core, da autoria de: Diogo Colen, Francisco Vasconcelos e Inês Martins. 12.º 1A e 12.º 1C Os raios cósmicos são partículas de alta energia que interagem com a atmosfera terrestre, originando partículas secundárias, como os muões. Este projeto tem como objetivo desenvolver e testar um sistema experimental composto por três detetores para analisar a direção e energia do core. A metodologia baseia-se na deteção de luz emitida durante a excitação dos eletrões quando os muões passam pelo cintilador, convertendo-a em sinais elétricos. Os dados obtidos permitirão determinar ângulos e níveis de energia associados aos chuveiros de partículas. ParKit, da autoria de: Miguel Tavares, António Sousa e Filipe Gomes. 12.º 1A e 12.º 1C O objetivo do nosso projeto é criar um sistema de reserva de estacionamento. Partindo de um sensor e um buzzer, ambos ligados a um Arduino. Este sistema funcionará a partir de um website, com hosting feito pelo Arduino. Ao reservar um lugar de estacionamento no website, tem o poder de ligar e desligar o sensor quando precisar. Ao terminar o tempo de reserva, o utilizador poderá escolher prolongar o tempo de reserva. Caso contrário, se o veículo exceder o tempo selecionado na aplicação estacionado, o Buzzer irá accionar. Este sistema visa implementar um método simples para o utilizador realizar a reserva do lugar de estacionamento, maximizando deste modo, o número de lugares disponíveis num dado instante. NewPlastic, da autoria de: Rita Henriques e Mafalda Mesquita. 12.º 1A De acordo com preocupações ambientais perante o uso excessivo de plásticos comuns à base de petróleo, bem como o interesse em trabalhar com um desperdício alimentar, proveniente tanto de ambientes domésticos como de industriais, procuramos desenvolver um material sustentável e biodegradável: um bioplástico feito a partir de poliácido láctico (PLA), um polímero de ácidos orgânicos, obtido através de cascas de batata. O design experimental para o desenvolvimento do projeto incluiu as etapas: produção de ácidos lácticos, através da hidrólise do amido da fécula de batata; neutralização da glicose, obtendo-se lactato de sódio, que foi ainda convertido em ácido láctico; e, posteriormente, a formação de um oligómero, produção e purificação do lactídeo, e polimerização por abertura do anel, obtendo-se finalmente o poliácido láctico. Obtiveram-se 3 lotes de PLA concentrado líquido, com aproximadamente 765ml no total. Também foi realizada uma Proof of concept, obtendo-se amido a partir de cascas de batata recolhidas num refeitório escolar. O PLA pode ter diversas aplicações pela sua biodegradabilidade, biocompatibilidade, boas propriedades mecânicas e facilidade de processamento, como na indústria alimentar, em embalagens biodegradáveis, na cosmética, impressão 3D, têxteis e moda, construção civil, eletrónica e robótica, na biomédica e na agricultura. ParkID, da autoria de: Adriana Batista e Filipa Hilário. 12.º 1A A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa crónica e progressiva. O seu diagnóstico é desafiador pois os métodos existentes são invasivos, caros e com frequência pouco específicos. Propõe-se o desenvolvimento de um biossensor eletroquímico que deteta a alfa-sinucleína, um biomarcador da doença, visando dar um contributo para um diagnóstico menos invasivo. É utilizado o fluído lacrimal que, por estar em contacto com o líquido cefalorraquidiano, se torna uma alternativa viável para esta deteção. O biossensor desenvolvido é constituído por um anticorpo plástico, construído através da tecnologia de Polímeros de Impressão Molecular (PIM), que utiliza o azul de metileno para criar uma matriz polimérica seletiva à volta da proteína alfa-sinucleína. A construção do biossensor envolveu a eletropolimerização do azul de metileno na presença (PIM) e ausência (PNI) da alfa-sinucleína. Os testes realizados demonstraram que o biossensor apresentou uma resposta eletroquímica mais estável e linear ao utilizar o fluído lacrimal artificial sem diluição, em comparação com o fluído lacrimal com uma diluição de 1:1000 e de 1:500. Foi possível observar que o PIM obteve uma resposta eletroquímica linear nas diferentes concentrações de alfa-sinucleína dentro do intervalo de 10 fM a 100 nM, evidenciando a capacidade do biossensor de reconhecer e interagir seletivamente com a proteína. Chronicare, da autoria de: Rita Amaral, Sofia Alvarez, Carolina Matos. 12.º 1A e 12.º 1B Propomo-nos estudar a aplicação de nanopartículas de óxido de zinco, com propriedades antibacterianas e antioxidantes, produzidas através da síntese verde com os resíduos das cascas de maçã, num penso de hidrogel para feridas crónicas, que previna/evite a contaminação bacteriana nas zonas feridas e que facilite a cicatrização. O plano de trabalho inclui uma dimensão científica e um processo de empreendedorismo baseado numa metodologia do tipo Lean Startup. Começámos por sintetizar 2,60 g nanopartículas de óxido de zinco e 1,06 g de nanopartículas óxido de cobre. De seguida procedeu-se à caracterização das nanopartículas produzidas recorrendo aos métodos de DRX, ATR-FTIR e TEM. As nanopartículas de ZnO foram aplicadas na matriz do penso e submetidas a ensaios para averiguar a sua citotoxicidade e propriedades antioxidante e antimicrobiana. Os ensaios realizados aos plugs de hidrogel com ZnO revelaram resultados interessantes para a propriedade antimicrobiana e antioxidante. Com o desenvolvimento deste penso pretendemos criar valor apresentando um produto com interesse terapêutico e comercial, num modelo suportado na Economia Circular, dando um contributo para a valorização de desperdícios. Ciência 2025 foi promovido pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pela Agência Nacional de Cultura Científica e Tecnológica Ciência Viva.