A escola, espaço de descoberta por excelência, deve proporcionar um ambiente de exploração e de conhecimento. Deve, também, convidar a “Descobrir (o) Tempo”: é neste âmbito que surge o projeto “O Tempo das Borboletas”. Desenvolvido pela Biblioteca Escolar, envolvendo todos os alunos do Jardim de Infância, procura acompanhar os alunos na descoberta do tempo das histórias, do tempo da Natureza, do tempo de cada um. O projeto exemplifica como se pode desenvolver competências nas mais diversas áreas curriculares através de uma história, tornando-as significativas para cada criança. Promovendo a leitura e o pensamento crítico, a Biblioteca Escolar desempenha, mesmo fora do seu espaço físico, um papel fundamental enquanto lugar de conhecimento.
As couves plantadas pelos alunos do Jardim de Infância na horta do Colégio atraíram borboletas brancas da couve (Pieris brassicae) que se apressaram a depositar os seus ovos, de forma gregária, em várias folhas. Estes ovos foram recolhidos e guardados em duas caixas de criação. De seguida, as nove turmas do Jardim de Infância ouviram a história d’A lagartinha muito comilona (Carle, 1969) e, com a ajuda de cada Educadora, observaram uma caixa transparente que continha uma grande folha verde. “É alface!” – disseram algumas vozes curiosas. Era, afinal, uma folha de couve. Com o auxílio de uma lupa, os alunos identificaram a primeira observação: “São muitos ovinhos amarelos!” Com ainda mais atenção, foram ainda capazes de observar outra forma: pequenas lagartas com cerca de dois dias de vida. “São muito pequeninas!” – notaram, espantados com aquelas criaturas minúsculas. As lagartas de Pieris brassicae são comummente consideradas uma praga agrícola, uma vez que podem ter efeitos devastadores nas culturas. Para estas crianças, no entanto, o conceito de “praga” será ainda alheio – talvez seja este um dos motivos que as fará afirmar peremptoriamente que “estas lagartas são lindas”. Na turma da educadora Ana Pereira 5 anos B, enquanto observamos os ovos, surge uma pergunta: “Onde está a mãe deles?” É explicado aos alunos que a mãe destes ovos foi uma borboleta que pousou na folha, pôs os ovos, e voou novamente. “Podemos ir procurar a mãe deles?” – Perguntam. Mas são os alunos do Jardim de Infância que estão agora responsáveis por cuidar destes ovos e das lagartas acabadas de nascer. É preciso observar diariamente e, ocasionalmente, alimentar as lagartas com uma folha de couve que a cozinha do Colégio nos guarda. Estas lagartas estão agora ao cuidado de todos, para que todos possam observar, acompanhar e registar o desenvolvimento destes seres. Na turma da educadora Sofia Linhares 3 anos C, um dos alunos sublinha o que não se pode fazer aos ovos: “Não podemos tocar, nem apertar, nem bater”. Já na turma da educadora Vera Alves 4 anos A, o Lourenço explica por que não podemos tocar nos pequenos ovos: se tocarmos, “também ficamos pequeninos”. A história da “lagartinha” de Carle, que muitos alunos já conheciam, permitiu que
abordássemos o tema do tempo nas suas várias manifestações: a noite e o dia; os dias da semana; a contagem de um a cinco; a misteriosa passagem de ovo a lagarta, de lagarta a casulo, e de casulo a borboleta. O guia d’As Borboletas de Portugal (Maravalhas, 2003) refere que o tempo desta borboleta é “todo o ano” (206): pode ser encontrada a voar, em Portugal, todos os meses. Para nós, observadores atentos do desenvolvimento das lagartas desta espécie, o tempo delas é variável: às vezes está suspenso – as lagartas não se mexem, “estão paradas, estão a dormir”. Outras vezes é muito rápido – “está ali uma muito grande!”, dizemos, quando vemos uma lagarta que se apressou a comer a couve. É um tempo demorado – marcamos, no calendário da educadora Inês Campos, os dias que faltam para se formar uma crisálida, a que também podemos chamar “casulo”.
O tempo da borboleta é-nos ainda incógnito. Esperamos, ansiosamente, a sua chegada. Até lá, observamos o fascinante desenvolver da vida.
Fomos todos ouvir a história da Lagartinha ao pé da horta. A Inês e a Camila contaram a história e explicaram tudo.
Maria da Piedade Pena 5 anos C
O que mais gostei foi de procurar ovos e lagartas nas couves. No fim de semana procurei também com a minha família na casa da avó.
Dinis Nunes 5 anos C
Eu gosto de ver a caixa das lagartas com uma lupa na nossa sala.
Vicente Delgado 5 anos C
Gosto de ter a lagartinha na sala. Depois vai ser um casulo.
Duarte Cruchinho 3 anos A
Aprendi como é que as lagartas se transformam em borboletas.
Vasco Rodeia 5 anos B
Aprendi que não podemos matar as lagartinhas e temos de dar-lhes comida.
Ema Vasconcelos 5 anos B
Primeiro a lagarta está no ovo, nasce mas, uns tempos depois muda de cor, ficam gordinhas e fazem o casulo para se transformarem em borboleta.
Rui Barata 5 anos B
Agradecemos a todas as Educadoras que têm acompanhado os seus alunos nas actividades deste projeto: Ana Pereira; Inês Afonso; Inês Colaço; Maria Bívar; Maria Carvalho; Mariana Pinto; Sofia Linhares; Vera Alves. À Coordenadora Teresa Grilo, pelo apoio prestado. À Professora Paula Velhinho, por transformar a lagartinha em caterpillar, contando a versão inglesa da história aos alunos. À Lúcia Marques, pela colheita de muitos ovos de borboleta. Ao Miguel Santos, por nos guardar couve para alimentar as lagartas.
Camila Sousa Coordenadora da Biblioteca Inês Campos Educadora de Infância

