Reconhecidos como espaços privilegiados de educação não formal, os museus são importantes lugares de aprendizagem e envolvimento cívico que nos permitem questionar como construímos o conhecimento no presente, como imaginamos o passado e como projetamos o futuro. O projeto O Tempo no Museu, O Museu no Tempo, iniciado este ano letivo com as turmas do Curso de Artes Visuais do 11.º e do 12.º anos, desafia as alunas a refletirem sobre o papel dos museus na sociedade, na sedimentação da memória coletiva e no exercício da cidadania. Através de uma abordagem transdisciplinar, analítica, criativa e colaborativa, as alunas começam a examinar como estas instituições moldam a nossa visão do mundo, constituindo-se em lugares onde as ideias sobre cultura, história, arte, património e identidade são criadas e reconsideradas.
Foi uma atividade onde adquiri uma nova maneira de olhar para os objetos!
Maria Inês Pereira 11.º 4
Associado ao tema transversal deste ano, “Descobrir (o) Tempo”, o projeto enquadra o Museu não apenas enquanto guardião de objetos e memórias, mas também, como lembra Pamuk, como um lugar onde a linearidade temporal se dissolve, colapsando num único espaço o passado, o presente e o futuro. Através de uma reflexão alargada em torno do Museu como motor cultural e cívico, o projeto procura estimular a criatividade, o pensamento crítico, a autonomia e a capacidade de argumentação das alunas, desafiando-as a observar, refletir e criar em conjunto. Nesse percurso, questionaremos a importância de instituições museológicas e analisaremos o que as define e distingue — as suas missões, coleções, espaços, públicos e estratégias de mediação. Ao longo do ano, exploraremos questões centrais do pensamento museológico, como o equilíbrio entre preservação e divulgação, a distinção entre facto e narrativa, os limites entre educação e entretenimento, e os desafios associados à representatividade e à inclusão.
Achei esta atividade bastante interessante e divertida, pois não é todos os dias que fazemos atividades em conjunto com outras turmas e gostei bastante de poder interagir, partilhar e debater sobre a nossa tarefa com uma pessoa de outra turma. Foi uma atividade que me ajudou a pensar e a refletir sobre diversos temas como o passado e como os objetos eram usados antigamente.
Matilde Ramos 11.º 4
Numa primeira fase, o projeto toma a forma de sessões conjuntas com as turmas de Artes Visuais, do 11.º e do 12.º ano, onde as alunas realizam exercícios experimentais – que introduzem, incrementalmente, quatro temas centrais à dinâmica museológica: o objeto, a coleção, a conservação e a exposição. Cada sessão procura criar uma aproximação prática e exploratória a questões associadas à criação de conhecimento no contexto particular do Museu, e à sua relação com a experiência individual e com a memória coletiva. Estas sessões, iniciadas no primeiro período, continuarão ao longo do ano, permitindo desenvolver uma reflexão crítica ancorada na resolução colaborativa de desafios concretos.
A atividade foi importante para sairmos da nossa zona de conforto e trabalharmos com pessoas diferentes.
Sofia Amaral 12.º 4
Estas sessões conjuntas estão estruturadas em torno de um conjunto variado de objetos que poderiam pertencer a um Museu. Cada aula abre um novo ângulo sobre o tema, e cada contacto com os objetos – seja um desenho de Graça Morais ou um vinil de Chico Buarque, uma máscara angolana, um cravo vermelho, um walkman ou uma caneta Bic – revela diferentes noções de valor e múltiplas possibilidades de associação. As alunas são desafiadas a observar, tocar, selecionar, desenhar, estudar, interpretar, relacionar e justificar as suas escolhas. A seleção revela-se num gesto intuitivo e criativo, em que a curiosidade – motor da prática curatorial – desempenha um papel central. Os objetos escolhidos são manuseados com luvas, introduzindo noções de cuidado, proximidade e responsabilidade, fundamentais ao trabalho museológico. As questões de resposta aberta orientam uma aproximação assente na observação atenta, na interpretação criativa e na discussão em grupo. A articulação do desenho com a palavra aprofunda a perceção, permite identificar semelhanças e diferenças, refletir sobre origem, matéria e valor, e reconhecer a pluralidade de sentidos e tempos que cada objeto transporta. Como lembrava Leonardo da Vinci, “arte é coisa mental”, e é precisamente nessa relação entre o olhar, o traço e o pensamento que se revela a verdadeira profundidade da experiência artística.
Gostei da atividade e do facto de interagirmos mais com a turma do 11.º 4 (…). A atividade em si foi diferente e fez-me refletir sobre o conceito de arte, a sua valorização e marca na história.
Rita Machado 12.º 4
Em paralelo, na disciplina de Oficinas de Artes, as alunas do 12.º ano irão desenvolver um projeto de investigação e criação mais aprofundado, centrado em diferentes museus da cidade de Lisboa, que permitirá examinar a missão destas instituições e os modos como constroem e comunicam conhecimento, e, ainda, desenvolver propostas de criação para contextos museológicos reais.
Gostei de ter a experiência de ser uma curadora (…). Aprendi imenso com a minha parceira mas também com as apresentações das minhas colegas. Estou curiosa para saber qual o próximo passo neste projeto.
Sofia Briosa 12.º 4
Esta abordagem pedagógica reforça a ideia de que observar, selecionar, preservar e expor são gestos ativos de criação de sentido. O Museu não é, então, apenas um depósito de objetos, mas um organismo vivo, onde se negociam memórias, narrativas e valores. O projeto O Tempo no Museu, O Museu no Tempo explora este potencial ao articular a prática artística — observar, desenhar, interpretar e criar — com a consciência cívica, mostrando que a cultura é um território partilhado em contínua transformação. Procuramos, assim, estimular a criatividade e o sentido de responsabilidade, desafiando as alunas a considerar o património cultural que as rodeia, a imaginar formas diferentes de o interpretar e a propor novas criações. Em última análise, compreender o Museu é compreender como construímos significado, e como essas construções se transformam com o olhar e com tempo.
Margarida Basto Professora de Oficina de Artes, Sofia Caranova Professora de Desenho, em colaboração com Joana Valsassina Curadora de Arte Contemporânea

