Hora do conto no 1.º Ciclo

8 de Junho, 2026

A atividade “Hora do Conto” no 1.º Ciclo integrou-se no plano de atividades da Biblioteca e foi dinamizada por Antonio Nicolò Zito, artista visual e performer, em colaboração com as professoras titulares do Colégio Valsassina. sob a supervisão da professora Carla Caldeira.
Ao longo do ano letivo, a Hora do Conto apresenta-se como um percurso contínuo de narração, de experimentação e criação, que culminou no dia 30 de maio, no “Um Dia na Escola”, com a exposição dos livros e do material pedagógico utilizados nas sessões.
Visto em retrospetiva, este trabalho construiu-se como uma viagem pelo conceito de tempo, explorado em múltiplas dimensões: o tempo do quotidiano e do imaginário, o tempo histórico e mítico, o tempo cronológico e o tempo não linear e poético.
As crianças foram acompanhando diferentes histórias e reinterpretações narrativas, como Mão verde, A menina e a abóbora, Prometeu e Scylla, Jack e o Pé de Feijão, Cachinhos Dourados e Alice no País das Maravilhas, entre outras. Cada narrativa foi trabalhada não apenas como história, mas como dispositivo de reflexão, jogo e construção simbólica.
A Hora do Conto integrou palavra, música, canções, movimento e jogos (motores e lógicos) criando um espaço imersivo de escuta e participação. O ambiente construído por Antonio Nicolò Zito assumiu uma dimensão simultaneamente retro e mágica, onde a narrativa se tornava experiência viva e onde a espera das crianças era continuamente transformada pela aparição de personagens, objetos e finais inesperados.
Um eixo central do projeto foi a dimensão ecológica e pedagógica. Todos os livros pop up e materiais utilizados foram criados por Antonio Nicolò Zito através de processos de reciclagem criativa, reforçando a consciência ambiental e a valorização do reaproveitamento. Paralelamente, as narrativas foram orientadas por princípios educativos de não-violência, responsabilidade e reparação simbólica, privilegiando a aprendizagem através da consciência e da transformação.
Neste enquadramento, histórias como Jack e o Pé de Feijão e Cachinhos Dourados foram reinterpretadas de forma a promover a reparação dos erros e o desenvolvimento de uma ética de cuidado e convivência.
Ao longo do ano, a Hora do Conto tornou-se um ritual estruturante da vida escolar, profundamente integrado nas dinâmicas do colégio e na sua visão educativa. O projeto consolidou um espaço de comunidade em torno da escuta e da narrativa, reforçando a relação entre crianças, professores e história contada.
Esta prática articula-se igualmente com a investigação artística de Antonio Nicolò Zito sobre oralidade, performance e construção do imaginário coletivo, reativando o conto como espaço ancestral de partilha, aprendizagem e pertença.